Mostrando postagens com marcador psicanálise. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador psicanálise. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

5 Livros Sobre: Psicoterapia clínica para iniciantes

É inegável que a escolha de enveredar pela prática clínica traz muitas angústias e ansiedades para o "prototerapeuta". Além do peso da responsabilidade para com aquele que o procura, o terapeuta iniciante muitas vezes questiona suas "habilidades" técnicas e compreensões teóricas, lutando contra a terrível sensação de nunca "estar pronto" para esse encontro com o sofrimento do outro.

Recomendamos, então, algumas leituras interessantes que podem servir de bálsamo para os corações desses estudantes e profissionais. Não obstante recomendamos que essas leituras sejam feitas de coração aberto, sem aprisionamentos de abordagens e filosofias. São relatos de experiências de pessoas que viveram uma vida voltada ao cuidar, cada qual no seu tempo e lugar, com sua visão de homem e de mundo. Não são manuais, nem livros de catequese. Não querem vender peixe. São pessoas que ousaram compartilhar. Então, amigos, ousem receber!



Tornar-se Pessoa 
Carl Rogers


Com 33 anos de experiência recebendo pessoas - crianças, adolescente e adultos - com as mais variadas demandas, Rogers fez um apanhado de tudo que aprendeu no seu processo de tornar-se psicoterapeuta.  


"Simplificando, o objetivo deste livro é o de compartilhar com vocês algo da minha experiência — alguma coisa de mim. Aqui está um pouco daquilo que experimentei na selva da vida moderna, no território amplamente inexplorado das relações pessoais. Aqui está o que vi. Aqui está aquilo em que vim a acreditar. Foi essa a forma como tentei verificar e pôr à prova aquilo em que acreditava. Aqui estão algumas das perplexidades, questões, inquietações e incertezas que tive de enfrentar. Espero que o leitor possa encontrar, neste livro que lhe é dedicado, algo que lhe diga respeito." - Rogers, 1997.




A Voz e o Tempo - Reflexões para Jovens Terapeutas
Roberto Gambini


Tem algo nas palavras do Gambini que enfeitiçam. Não seria errado dizer que esse "algo" é uma compilação da sua espontaneidade e abertura, do seu senso de realidade e da sua capacidade para invocar a magia que é Ser Humano.

No livro A Voz e o Tempo, Gambini não diz nada além do que viu, ouviu, refletiu e aprendeu. Ainda assim, nessa soberba simplicidade, o livro é uma oferenda aos que estão começando ou revendo seus caminhos profissionais.

Embora escrito por alguém que traz uma bagagem da Psicologia Analítica, o livro propõe um olhar que transcende abordagens e toca o que é de todos.

A Voz e o Tempo - Reflexões para Jovens Terapeutas ganhou o prêmio Jabuti de Psicologia e Psicanálise no ano de 2009.



"A voz e o tempo: o que o tempo fez com a minha voz, minha expressão. No decorrer dos últimos trinta anos, durante os quais me dediquei ao ofício da psicoterapia, acumularam-se em algum ponto do trajeto que leva das entranhas à mente, passando pelo coração, camadas sobre camadas de sentimentos, observações, pensamentos, aprendizados, experimentos, descobertas, questionamentos, formulações, tomadas de posição. O tempo operou sobre essa estratigrafia de impresseões e acabou revelando seu poder de moldar toda essa massa plástica sutil e transformá-la em palavra pronunciada, que agora apresento como texto dedicado a jovens terapeutas em busca de seus caminhos e de suas verdades." - Gambini, 2011




Cartas a um Jovem Terapeuta
Contardo Calligaris


Livro de cabeceira, geralmente comprado entre o segundo e o terceiro semestre de faculdade, Cartas a um Jovem Terapeuta é o clássico dos clássicos dessa lista. Ainda assim, sua validade permanece intacta e continuamos achando que, além da cabeceira, profissionais devem deixá-lo na estante da clínica também. Bem ao alcance das mãos.

Escrito num tom informal, numa conversa imaginária (?) com dois terapeutas iniciantes, Calligaris fala da sua experiência de vida, do seu percurso como psicanalista, deixando pontuações bem diretas e levantando questionamentos que fazem o leitor coçar a orelha e se perguntar: "como cheguei aqui?". As flores e dores do ofício, as diversas cores e matizes da alma do terapeuta.. Nenhum ponto fica de fora.


"A importância da confiança para que as curas funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia. Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Voltarei sobre isso em outras cartas, mas, desde já, aqui vai: nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Como disse antes, na psicoterapia, o terapeuta funciona um pouco como o remédio. Ora, transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por uma toxicomania: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. Ou, ainda, seria como curar um alcoolista tornando-o heroinômano. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente pára de idealizar o terapeuta. Tudo isso apenas para dizer que, se você gosta da idéia de ser um notável na cidade e de se sentir amado, a psicoterapia talvez não seja a melhor escolha profissional para você." - Calligaris, 2004




Escarafunchando Fritz
Fritz Perls


Perls era uma figura incrível! Com todas as suas mazelas e inconstâncias, conseguiu algo que poucos dão conta: ser ele mesmo, apesar de. A cereja do bolo foi contar como tudo aconteceu, num livro engraçado e comovente, escrito num ato de criação tão espontâneo (que chega a deixar o leitor tonto), dando lugar a "tudo que quiser ser escrito". 

A narrativa é tão flúida e tão permeada com a sua experiência pessoal, que o nascimento da Gestalt-terapia acaba sendo um detalhe, entre tantos e tantos construídos nada sutilmente nessa autobiografia.



"Se você odeia algo que existe
Isso é você, embora seja triste.
Pois você é eu e eu sou você
Você odeia em si mesmo
Aquilo que você despreza.
Você odeia a si mesmo
E pensa que odeia a mim.
Projeções são a pior coisa.
Acabam com você, o deixam cego
Transformam montinhos em montanhas
Para justificar seu preconceito.
Recupere os sentidos. Veja claro.
Observe aquilo que é real,
E não aquilo que você pensa.” - Perls, 1979




Em Busca de Sentido 
Viktor Frankl


O que esperar de um livro com o subtítulo "Um psicólogo no campo de concentração"? No relato autobiográfico de Viktor Frankl temos a oportunidade de acessar suas memórias mais dolorosas, afim de compreendermos a elaboração do seu olhar: "O que realmente importa não é o que nós esperamos da vida, mas antes o que ela espera de nós."

Dividido em duas partes, o livro relata a experiência de Frankl enquanto prisioneiro dos nazistas e, depois, a construção de sua teoria e prática psicoterapêutica com o apanhado dessa experiência. Comovente e mobilizador, Em Busca de Sentido é uma leitura obrigatória para quem quer entender melhor a função principal do fazer psicoterapia.


"Dostoievsky afirmou certa vez: 'Temo somente uma coisa: não ser digno do meu tormento". Essas palavras ficavam passando muitas vezes pela cabeça da gente quando se ficava conhecendo aquelas pessoas cujo comportamento no campo de concentração, cujo sofrimento e morte testemunham essa liberdade interior última do ser humano, a qual não se pode perder. Sem dúvida, elas foram 'dignas dos seus tormentos'. Elas provaram que, inerente ao sofrimento, há uma conquista, que é uma conquista interior. A liberdade espiritual do ser humano, a qual não se lhe pode tirar, permite-lhe, até o último suspiro, configurar a sua vida de modo que tenha sentido. Pois não somente uma vida ativa tem sentido (...) Se é que a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá." - Frankl, 2005



Tem alguma dica interessante pra compartilhar com a gente? Vá em frente! Use e abuse dos comentários! 

Até breve!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

10 Filmes Sobre: Sonhos


Dos vários mistérios da natureza, o sonho certamente é um dos que exercem fascínio atemporal sobre a humanidade. De caráter premonitório, agourento, conselheiro ou punitivo, como viagem, manifestação do inconsciente ou como mera consequência de alterações fisiológicas, o sonho é explorado e respeitado por todas as culturas, desde os tempos mais remotos.

Escolhemos dez filmes interessantes, de vários gêneros, que de alguma maneira abordam os sonhos em suas tramas:

Sonhos 
(EUA/JAP, 1990)


O diretor japonês Akira Kurosawa realizou uma verdadeira façanha com esse filme, materializando sonhos que teve durante toda sua vida. Um dos raros roteiros escritos pelo próprio diretor, Sonhos proporciona uma forte experiência estética, um encontro com algo que nos é familiar, mesmo sem conseguirmos nomeá-lo.

A Origem
(EUA, 2010)


Neste filme dirigido por Christopher Nolan, os personagens conseguem invadir sonhos e extrair do inconsciente das pessoas informações valiosas e manipulá-las para conseguir certos objetivos. Seguindo uma linha comum em filmes sobre o mundo onírico, a grande (e vertiginosa) questão é se o que vemos e vivemos é real ou não. 

Paprika 
(JAP, 2006)


Imagine uma máquina que permite aos psicoterapeutas acesso aos sonhos de seus pacientes para gravá-los e, quando preciso, interferir diretamente. Agora imagine que essa máquina foi roubada por alguém com péssimas intenções. No que isso resulta? CAOS. Imediatamente, a heroína – e psicoterapeuta – Paprika entra em ação.

Esse desenho japonês está longe de ser infantil: estupro, nudez, assassinatos e suicídios são apenas alguns dos elementos que justificam a censura rigorosa. No mais, Paprika é uma viagem pela psique humana, jorrando simbolismos e permeada de elementos freudianos muito bem utilizados.

É um filme confuso, um pouco nauseante, mas extremamente intrigante e inteligente. Com certeza é pra ver mais de uma vez!

Waking Life
 (EUA, 2001)


O que é sonho e o que é realidade? 

O personagem principal do filme está preso num sonho, dentro de um sonho, dentro de um sonho e por aí vai. Durante todo o tempo ele se depara com figuras interessantes que tem algo a dizer sobre vida, morte, política, ciência, religião, sociologia e sobre a própria consciência humana.

Esse já é velho conhecido dos existencialistas e cinéfilos do mundo afora. É um filme criativo, inteligente, porém um pouco cansativo (principalmente na primeira metade). Se prepare pra ficar tonto!

Abra os Olhos 
(ESP, 1997)


César, um jovem homem de sucesso, muito bonito, encontra o amor de sua vida, Sofia, durante sua festa de aniversário. Acontece que a ex-namorada de César, Nuria, não aceita o término e, ao convencer César a aceitar sua carona, joga o carro contra a parede numa tentativa de suicídio e assassinato. César sobrevive, mas seu rosto está permanentemente desfigurado.

Infelizmente, Abra os Olhos é conhecido apenas pelo seu remake americano, Vanilla Sky (2001), que também traz Penélope Cruz no papel de Sofia. No entanto, esse excelente filme, dirigido por Alejandro Amenábar, merece ser valorizado e apreciado como a obra original que realmente é. 

A Hora do Pesadelo
 (EUA, 1984)


Clássico do Horror dos anos 1980, o filme traz um vilão diferente de todos os outros: Freddy Krueger ataca as suas vítimas enquanto elas dormem, através de seus sonhos. 

A franquia gerou oito filmes e uma refilmagem (péssima!), mas todos menos interessantes do que o primeiro. Violento, sarcástico e até engraçado, Freddy é um ícone do cinema, que deixou gerações com medo de encarar o travesseiro por muito tempo.

O Mágico de Oz 
(EUA, 1939)


Clássico americano do pós-guerra, adaptado do livro de Victor Fleming. O Mágico de Oz conta as aventuras da adorável Dorothy que, ao ter sua casa arrastada por um furacão, acaba chegando na terra de Oz. Para voltar ao Kansas, Dorothy precisará vencer muitos obstáculos, contando com a ajuda de três novos amigos.

O Mágico de Oz é um filme muito bonito, além de ser uma delícia brincar de analisar a personagem principal e viajar nos elementos simbólicos que aparecem por vezes sutis, por vezes escancarados. 

Alice no País das Maravilhas 
(EUA, 1951)


Bem mais psicodélico que O Mágico de Oz, o livro de Lewis Carroll deu muito pano pra manga. Além das adaptações para o teatro e cinema, contou com uma animação feita pelos Estúdios Disney, que captou com bastante propriedade a natureza do livro (considerando os limites da época).

Com personagens divertidos e curiosos (e mais e mais curiosos!),  Alice no País das Maravilhas é uma explosão de críticas sociais (ainda muito pertinentes, por sinal) e pérolas existencialistas. A própria Alice, encarando os desafios de uma adolescência anunciada, nos convoca sobre vários pontos de vista!

José, Rei dos Sonhos 
(EUA, 2000)


Animação da Dreamworks, o filme conta a história bíblica de José que, traído por seus irmãos e vendido como escravo, chega ao Egito e logo se torna político influente, graças ao seu dom de interpretar os sonhos do faraó. Em determinado momento, José aprende a interpretar os próprios sonhos, num exercício primitivo de autoanálise.

Freud Além da Alma 
(USA, 1962)


O filme conta a trajetória de Freud nos primórdios da Psicanálise, focando em sua relação com a Psiquiatria, seus colegas e sua família. O ponto alto do filme envolve a relação de Freud com uma paciente especial que, através de seus sonhos, lançará uma nova luz no caminho profissional do doutor.

Interessante pra quem ainda não viu, pois, apesar das falhas e distorções eventuais, o filme ainda é um clássico e mostra um pouco da história da Saúde Mental e da Psicanálise.  



E você? Viu alguma coisa interessante por aí e gostaria de conversar sobre? Manda sua ideia pra gente! Quem sabe ela pode ser o nosso próximo Pimenta Nos Olhos Pra Ver Melhor.