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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

5 Livros Sobre: Psicoterapia clínica para iniciantes

É inegável que a escolha de enveredar pela prática clínica traz muitas angústias e ansiedades para o "prototerapeuta". Além do peso da responsabilidade para com aquele que o procura, o terapeuta iniciante muitas vezes questiona suas "habilidades" técnicas e compreensões teóricas, lutando contra a terrível sensação de nunca "estar pronto" para esse encontro com o sofrimento do outro.

Recomendamos, então, algumas leituras interessantes que podem servir de bálsamo para os corações desses estudantes e profissionais. Não obstante recomendamos que essas leituras sejam feitas de coração aberto, sem aprisionamentos de abordagens e filosofias. São relatos de experiências de pessoas que viveram uma vida voltada ao cuidar, cada qual no seu tempo e lugar, com sua visão de homem e de mundo. Não são manuais, nem livros de catequese. Não querem vender peixe. São pessoas que ousaram compartilhar. Então, amigos, ousem receber!



Tornar-se Pessoa 
Carl Rogers


Com 33 anos de experiência recebendo pessoas - crianças, adolescente e adultos - com as mais variadas demandas, Rogers fez um apanhado de tudo que aprendeu no seu processo de tornar-se psicoterapeuta.  


"Simplificando, o objetivo deste livro é o de compartilhar com vocês algo da minha experiência — alguma coisa de mim. Aqui está um pouco daquilo que experimentei na selva da vida moderna, no território amplamente inexplorado das relações pessoais. Aqui está o que vi. Aqui está aquilo em que vim a acreditar. Foi essa a forma como tentei verificar e pôr à prova aquilo em que acreditava. Aqui estão algumas das perplexidades, questões, inquietações e incertezas que tive de enfrentar. Espero que o leitor possa encontrar, neste livro que lhe é dedicado, algo que lhe diga respeito." - Rogers, 1997.




A Voz e o Tempo - Reflexões para Jovens Terapeutas
Roberto Gambini


Tem algo nas palavras do Gambini que enfeitiçam. Não seria errado dizer que esse "algo" é uma compilação da sua espontaneidade e abertura, do seu senso de realidade e da sua capacidade para invocar a magia que é Ser Humano.

No livro A Voz e o Tempo, Gambini não diz nada além do que viu, ouviu, refletiu e aprendeu. Ainda assim, nessa soberba simplicidade, o livro é uma oferenda aos que estão começando ou revendo seus caminhos profissionais.

Embora escrito por alguém que traz uma bagagem da Psicologia Analítica, o livro propõe um olhar que transcende abordagens e toca o que é de todos.

A Voz e o Tempo - Reflexões para Jovens Terapeutas ganhou o prêmio Jabuti de Psicologia e Psicanálise no ano de 2009.



"A voz e o tempo: o que o tempo fez com a minha voz, minha expressão. No decorrer dos últimos trinta anos, durante os quais me dediquei ao ofício da psicoterapia, acumularam-se em algum ponto do trajeto que leva das entranhas à mente, passando pelo coração, camadas sobre camadas de sentimentos, observações, pensamentos, aprendizados, experimentos, descobertas, questionamentos, formulações, tomadas de posição. O tempo operou sobre essa estratigrafia de impresseões e acabou revelando seu poder de moldar toda essa massa plástica sutil e transformá-la em palavra pronunciada, que agora apresento como texto dedicado a jovens terapeutas em busca de seus caminhos e de suas verdades." - Gambini, 2011




Cartas a um Jovem Terapeuta
Contardo Calligaris


Livro de cabeceira, geralmente comprado entre o segundo e o terceiro semestre de faculdade, Cartas a um Jovem Terapeuta é o clássico dos clássicos dessa lista. Ainda assim, sua validade permanece intacta e continuamos achando que, além da cabeceira, profissionais devem deixá-lo na estante da clínica também. Bem ao alcance das mãos.

Escrito num tom informal, numa conversa imaginária (?) com dois terapeutas iniciantes, Calligaris fala da sua experiência de vida, do seu percurso como psicanalista, deixando pontuações bem diretas e levantando questionamentos que fazem o leitor coçar a orelha e se perguntar: "como cheguei aqui?". As flores e dores do ofício, as diversas cores e matizes da alma do terapeuta.. Nenhum ponto fica de fora.


"A importância da confiança para que as curas funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia. Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Voltarei sobre isso em outras cartas, mas, desde já, aqui vai: nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Como disse antes, na psicoterapia, o terapeuta funciona um pouco como o remédio. Ora, transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por uma toxicomania: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. Ou, ainda, seria como curar um alcoolista tornando-o heroinômano. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente pára de idealizar o terapeuta. Tudo isso apenas para dizer que, se você gosta da idéia de ser um notável na cidade e de se sentir amado, a psicoterapia talvez não seja a melhor escolha profissional para você." - Calligaris, 2004




Escarafunchando Fritz
Fritz Perls


Perls era uma figura incrível! Com todas as suas mazelas e inconstâncias, conseguiu algo que poucos dão conta: ser ele mesmo, apesar de. A cereja do bolo foi contar como tudo aconteceu, num livro engraçado e comovente, escrito num ato de criação tão espontâneo (que chega a deixar o leitor tonto), dando lugar a "tudo que quiser ser escrito". 

A narrativa é tão flúida e tão permeada com a sua experiência pessoal, que o nascimento da Gestalt-terapia acaba sendo um detalhe, entre tantos e tantos construídos nada sutilmente nessa autobiografia.



"Se você odeia algo que existe
Isso é você, embora seja triste.
Pois você é eu e eu sou você
Você odeia em si mesmo
Aquilo que você despreza.
Você odeia a si mesmo
E pensa que odeia a mim.
Projeções são a pior coisa.
Acabam com você, o deixam cego
Transformam montinhos em montanhas
Para justificar seu preconceito.
Recupere os sentidos. Veja claro.
Observe aquilo que é real,
E não aquilo que você pensa.” - Perls, 1979




Em Busca de Sentido 
Viktor Frankl


O que esperar de um livro com o subtítulo "Um psicólogo no campo de concentração"? No relato autobiográfico de Viktor Frankl temos a oportunidade de acessar suas memórias mais dolorosas, afim de compreendermos a elaboração do seu olhar: "O que realmente importa não é o que nós esperamos da vida, mas antes o que ela espera de nós."

Dividido em duas partes, o livro relata a experiência de Frankl enquanto prisioneiro dos nazistas e, depois, a construção de sua teoria e prática psicoterapêutica com o apanhado dessa experiência. Comovente e mobilizador, Em Busca de Sentido é uma leitura obrigatória para quem quer entender melhor a função principal do fazer psicoterapia.


"Dostoievsky afirmou certa vez: 'Temo somente uma coisa: não ser digno do meu tormento". Essas palavras ficavam passando muitas vezes pela cabeça da gente quando se ficava conhecendo aquelas pessoas cujo comportamento no campo de concentração, cujo sofrimento e morte testemunham essa liberdade interior última do ser humano, a qual não se pode perder. Sem dúvida, elas foram 'dignas dos seus tormentos'. Elas provaram que, inerente ao sofrimento, há uma conquista, que é uma conquista interior. A liberdade espiritual do ser humano, a qual não se lhe pode tirar, permite-lhe, até o último suspiro, configurar a sua vida de modo que tenha sentido. Pois não somente uma vida ativa tem sentido (...) Se é que a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá." - Frankl, 2005



Tem alguma dica interessante pra compartilhar com a gente? Vá em frente! Use e abuse dos comentários! 

Até breve!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

10 Filmes Sobre: Velhice

Velhice, terceira idade, melhor idade... Já perceberam que hoje nos deparamos com tantos nomes e tanto tabu pra se falar da coisa mais natural e óbvia da vida, o amadurecimento? Fugimos disso como diabo foge da cruz, inventando todo dia alguma coisa que faça perdurar essa tão idealizada juventude. 

A lista de filmes dessa semana, pensada a partir das comemorações do Dia do Idoso (1º de Outubro), vem pra nos fazer refletir sobre os vários aspectos que envolvem as realidades da(s) velhice(s). Mas também para celebrá-la! 


Amor
(2012)

Aos 80 anos, Georges e Anne são professores aposentados que vivem uma vida tranquila. Os anos trouxeram experiências felizes e construtivas, mas também limitações esperadas pela idade. Um dia, durante o café da manhã, Anne sofre um derrame, ficando com o lado direito do corpo paralisado. Obediente ao desejo da esposa, Georges decide cuidar dela em casa, mas a crescente debilitação de Anne traz consequências cada vez mais pesadas e onerosas, colocando à prova o amor de George numa grande luta por dignidade.

Um filme duro, porém inesquecível. Ensina que diante do inevitável, o respeito e a responsabilidade são as maiores demonstrações de amor.  

"As coisas continuarão e, um dia, tudo estará terminado."



Elsa & Fred
(2005)

Fred é um viúvo hipocondríaco, cheio de rabugice, que se muda para o mesmo prédio de Elsa, uma argentina espevitada, caloteira e apaixonada pela vida. Por obra do acaso, os dois iniciam um relacionamento cheio de descobertas, em plena terceira idade.

Muito gostoso esse filme argentino dirigido por Marcos Carnevale , que também dirigiu o excelente “Anita”. “Elsa & Fred” é uma comédia romântica original e delicada, daquelas pra guardar e assistir quando a vida parecer amarga demais.

"Eu te amo. O amor também faz mal pra esse seu corpinho, de velhinho, frágil e enfermo?"



UP – Altas Aventuras
(2009)

Uma animação das mais graciosas já feitas pela Pixar, conta a história de Carl, um senhor de quase 80 anos, que gosta de manter o seu espaço pessoal (vulgo “ranzinza” para os mais jovens).

Tolhido por uma cidade em rápido desenvolvimento e ameaçado por seu filho para ir morar em uma casa de repouso, Carl arquiteta um plano mirabolante que envolve vários balões e um antigo desejo: conhecer as terras selvagens da América do Sul. O único imprevisto nos planos de Carl foi ter um acompanhante inesperado de apenas oito anos de idade.

Prepare-se para se emocionar logo nas primeiras cenas!

"A aventura está lá fora!"



RED – Aposentados e Perigosos
(2010)

Que tal um filme de ação (e muita ação) em que os personagens são todos aposentados? 

Com elenco estrelar, o filme conta a história de ex-agentes da CIA que se reúnem novamente para combater um vilão internacional. Até aí, o roteiro é bem comum. Interessante é observar os detalhes das histórias de cada personagem: a solidão, o tédio, a sexualidade, as frustrações, as limitações físicas, a visão de futuro (ou a falta dela), etc.

Bruce Willis, Hellen Mirren, Morgan Freeman e John Malkovich (todos acima dos 60) estão divertidíssimos! Vale a pena conferir!

"Aposentados, extremamente perigosos."




Cocoon
(1985)

Um clássico do cinema, Cocoon é uma comédia dramática que proporciona reflexões interessantes sobre ser/estar velho.

Um grupo de idosos começa a perceber mudanças de vigor e disposição após nadarem numa piscina, que deveria ser de acesso restrito. Descobrem, então, que ali estão casulos de alienígenas, escondidos por membros infiltrados em sua comunidade, que tentam a todo custo voltar pra casa. O grupo começa uma jornada para ajudar os novos amigos em sua empreitada, com recompensas inusitadas.

"Homens têm que ser exploradores, não importa que idade tenham."



Conduzindo Miss Daisy
(1989)

Miss Daisy é uma senhora judia, residente de uma cidade no sul dos Estados Unidos, na década de 1950. Mesmo após um sério acidente, ela tem dificuldade para aceitar que sua habilidade como motorista não é das melhores. Seu filho, preocupado, resolve contratar um profissional, um homem negro chamado Hoke Colburn.

A partir daí a história desenrola, mostrando a aproximação dos personagens, a delicada evolução de seu relacionamento e a transcendência de suas inúmeras diferenças.

Jessica Tandy, que interpreta Miss Daisy, também fez outro filme excelente dentro do tema: “Tomates Verdes Fritos”. Recomendadíssimo!

"Hoke, você é meu melhor amigo."




Gran Torino
(2008)

Walt Kowalski é veterano da Guerra da Coréia. Continuou morando na mesma casa, mesmo após a morte da esposa, e dedica-se apenas aos cuidados com seu Gran Torino 1972. Os filhos (percebam a recorrência) querem que ele vá morar numa casa para idosos. Com raiva e afundando em solidão, Walt, ironicamente, vê seu bairro ser cada vez mais habitado por imigrantes asiáticos pobres.

As coisas começam a mudar quando um de seus vizinhos tenta roubar seu Gran Torino. A partir daí, Walt se aproxima do jovem “ladrão” e de sua família, gerando consequências na vida de todos.

Um filme interessante sobre envelhecimento, preconceito e xenofobia. Vale a pena conferir.

"Uma vez, consertei uma porta que não estava nem quebrada ainda..."




Antes de Partir
(2007)

Talvez um novo clássico sobre envelhecimento, Antes de Partir conta como dois homens, vindos de mundos bem diferentes, se encontram numa ala hospitalar para pacientes com câncer e percebem que suas diferenças não significam nada diante do destino que os une. 

Os dois, então, fazem um pacto de realizar todos os seus desejos antes de morrerem. Uma comédia divertida e inspiradora. Mais uma vez, Morgan Freeman nos encanta com uma atuação fantástica.


"Nós vivemos, nós morremos e as rodas do ônibus continuam girando e girando..."



O Mestre da Vida
(2006)

John é um jovem pintor que não consegue manter um bom relacionamento familiar, sentindo-se sempre incompreendido pelo pai. Por vias do destino, seu caminho cruza o do seu ídolo, o famoso pintor russo Nicoli Seroff. Mas o que John encontra não é mais o audacioso e apaixonado pintor, mas um idoso solitário e de temperamento difícil, que enfrenta problemas com bebida e não consegue se recuperar da perda da esposa.

O relacionamento dos dois revive o interesse de Nicolai pela arte e traz um precioso amadurecimento para John. "O Mestre da Vida" é um filme muito bonito sobre as difíceis transições da vida e sobre a dor do luto.

"Um mestre. Um estudante. Um verão para sonhar."




Dois Velhos Rabugentos
(1993)

Jack Lemmon e Walter Matthau (o eterno Sr. Wilson!!) interpretam John e Max, dois velhos conhecidos e vizinhos que, desde crianças, nunca se deram bem, sempre brigando por qualquer motivo. Depois de velhos, a principal diversão de suas vidas é procurar formas de infernizar a existência um do outro. A relação entre eles fica ainda mais complicada quando uma nova vizinha aparece e os dois se apaixonam por ela, aumentando (se possível) a antiga rivalidade.

Divertido seguindo o melhor humor pastelão, mas também cheio de pequenos detalhes tocantes, como as dificuldades nas relações familiares vividas pelos personagens. 

"Crianças; não dá pra viver com elas, não dá pra atirar nelas."




E por hoje é só, pessoal! 

Lembrando que por conta da correria do coquetel (para o qual você já está convidado!), não teremos o nosso Pimenta Nos Olhos Pra Ver Melhor no mês de Outubro. Mas em Novembro estaremos de volta com um tema interessante e polêmico: Suicídio.

Aguardamos você no dia 11/10 pra celebrar com a gente e curtir a palestra do Prof. Perisson Dantas

Até lá! 


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

10 Filmes Sobre: Loucura

Loucura: quantas vezes por dia empregamos essa palavra ou suas variações? Tantas e tantas músicas, livros e filmes fazem referência aos perigos e prazeres da insanidade... 

Mas o que é “loucura”, afinal? Talvez, seja apenas uma questão de perspectiva!

A lista da semana traz 10 filmes que irão ajudar você a perder um pouco a razão:



Dolls 
(JAP, 2002)

Inspirado pelo tradicional teatro de bonecos (bunraku) e pelas histórias pessoais do próprio diretor Takeshi Kitano. Dolls, na verdade, é uma bela instigação visual. São três histórias de amores perdidos, de desencontros e reencontros, retratando de maneira trágica o que em nossos corações podemos entender como “enlouquecer de amor”.




O Gabinete do Dr. Caligare 
(ALE, 1920)

Considerado o primeiro filme de terror da história, narra a desventura de dois grandes amigos que tem seus destinos selados quando conhecem o Dr. Caligare e seu escravo, o sonâmbulo Cesare. 

Fiel ao movimento expressionista da época, O Gabinete do Dr. Caligare é uma orgia de formas bizarras e exageros propositais, que geram um sentimento onírico, como se estivéssemos participando da produção imaginária de um louco. Bom... Quem sabe, né?




Sybil 
(EUA, 1976)

Filme feito para a televisão americana. Sally Field interpreta com maestria uma moça – Sybil – que para sobreviver aos terríveis momentos de sua infância desenvolveu 13 personalidades diferentes. Com a ajuda de uma psicanalista (a sempre bela Joanne Woodward) tenta confrontar o passado e lutar por uma vida digna.




Se Enlouquecer, Não Se Apaixone 
(EUA, 2010)

É uma comédia bonitinha que conta a história de Craig, um garoto de 16 anos, depressivo, que por pensar constantemente em suicídio, resolve pedir ajuda num hospital. Por questões estruturais, Craig tem que ficar na mesma ala que os pacientes adultos e acaba conhecendo figuras interessantes, como Bobby, Muqtada e Noelle, que mudarão sua percepção do mundo e dos seus valores.




Louca Obsessão 
(EUA, 1990)

Suspense de deixar qualquer lábio roxo por falta de oxigenação, Louca Obsessão - adaptação do romance homônimo de Stephen King - traz James Caan no papel de Paul Sheldon, um escritor que sofre um estranho acidente de carro e é resgatado por uma enfermeira, Annie Wilkes, sua “fã nº 1”. Annie leva seu novo paciente até sua casa, um lugarzinho aconchegante e isolado, onde fará questão de cuidar para que Paul dê ao seu último livro um final mais apropriado, nem que ela tenha que forçá-lo a isso.

Kathy Bates merece destaque pelo papel de Annie Wilkes. Uma psicopata apavorante e ainda assim digna de pena.




Repulsa ao Sexo
(UK, 1965)

Catherine Deneuve está belíssima no papel de Carol, uma moça que passa maus bocados quando sua irmã a deixa sozinha no apartamento. Perdida em lembranças dolorosas, Carol afunda numa paranoia crescente, sofrendo alucinações cada vez mais perigosas.

Filme dirigido por Roman Polanski, faz parte da famosa Trilogia do Apartamento (ou Trilogia da Paranoia), da qual fazem parte outros dois filmes que caem muito bem nessa lista: O Bebê de Rosemary (1968) e O Inquilino (1975).




O Iluminado
(EUA, 1980)

Já ouviram falar em “Febre da Cabana”? É o mal preconizado logo que o Sr. Jack Torrance pisa pela primeira vez no antigo Overlook Hotel. Quando passa a residir lá com sua família, Jack acaba envolvido pela energia do lugar, palco de histórias bizarras de dor e morte. 

Clássico dos anos 80, também adaptado de um romance homônimo de Stephen King, O Iluminado é uma verdadeira viagem pelo labirinto da loucura (e isso, caros amigos, foi uma piada interna!).




Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos 
(ESP, 1988)

Os filmes de Pedro Almodóvar são marcados por sentimentos intensos, fortes obsessões e mulheres (ahn...) peculiares. A expressão “mulheres almodovianas” tomou força a partir deste filme, que traz personagens cheios de cores, de paixões, de emoções transbordantes e com uma certa tendência ao desastre.

Quando várias almodovianas encontram-se reunidas em um apartamento e ao redor do mesmo homem, pode-se esperar muita confusão com grandes pitadas de insanidade.




A Ilha do Medo 
(EUA, 2010)

O ano é 1954 e os detetives Teddy Daniels e Chuck Aule foram enviados para solucionar o misterioso desaparecimento de uma interna do hospital psiquiátrico para criminosos violentos, o Ashecliff. Com o andamento das investigações, Teddy passa a suspeitar que o Hospital pode estar envolvido de alguma forma, até que uma tempestade surge inesperadamente, mantendo todos reclusos em seus terrenos.

Mais um exemplo de sucesso da parceria DiCaprio-Scorsese




Bicho de Sete Cabeças 
(BRA, 2000)

Retrato cruel (mas real) dos hospitais psiquiátricos brasileiros, o filme conta a história de Neto, um adolescente que tem sua vida transformada quando o pai encontra um baseado nas suas coisas e decide interná-lo, já que não consegue lidar com a “rebeldia” do filho e com a consequente relação conturbada existente entre eles.

No hospital, Neto se depara com a miséria, a intolerância e a incompreensão numa realidade violenta e hostil, que não poderia jamais contribuir para o alívio de qualquer sofrimento, físico ou psíquico.

Vale muito a pena conhecer também o livro que deu origem ao filme: Cantos dos Malditos, autobiografia de  Austregésilo Carrano Bueno, que sofreu na pele os abusos do injusto encarceramento.




E por enquanto é só! Lembrou de algum filme legal? Compartilha com a gente! Em breve faremos uma postagem especial reunindo todas as dicas deixadas aqui e no facebook (/veredas-psicológicas).

Lembrando que você sempre pode sugerir algum filme pra gente aprofundar a conversa no Pimenta Nos Olhos Pra Ver Melhor. 



Até a próxima!




terça-feira, 3 de setembro de 2013

10 Filmes Sobre: Sonhos


Dos vários mistérios da natureza, o sonho certamente é um dos que exercem fascínio atemporal sobre a humanidade. De caráter premonitório, agourento, conselheiro ou punitivo, como viagem, manifestação do inconsciente ou como mera consequência de alterações fisiológicas, o sonho é explorado e respeitado por todas as culturas, desde os tempos mais remotos.

Escolhemos dez filmes interessantes, de vários gêneros, que de alguma maneira abordam os sonhos em suas tramas:

Sonhos 
(EUA/JAP, 1990)


O diretor japonês Akira Kurosawa realizou uma verdadeira façanha com esse filme, materializando sonhos que teve durante toda sua vida. Um dos raros roteiros escritos pelo próprio diretor, Sonhos proporciona uma forte experiência estética, um encontro com algo que nos é familiar, mesmo sem conseguirmos nomeá-lo.

A Origem
(EUA, 2010)


Neste filme dirigido por Christopher Nolan, os personagens conseguem invadir sonhos e extrair do inconsciente das pessoas informações valiosas e manipulá-las para conseguir certos objetivos. Seguindo uma linha comum em filmes sobre o mundo onírico, a grande (e vertiginosa) questão é se o que vemos e vivemos é real ou não. 

Paprika 
(JAP, 2006)


Imagine uma máquina que permite aos psicoterapeutas acesso aos sonhos de seus pacientes para gravá-los e, quando preciso, interferir diretamente. Agora imagine que essa máquina foi roubada por alguém com péssimas intenções. No que isso resulta? CAOS. Imediatamente, a heroína – e psicoterapeuta – Paprika entra em ação.

Esse desenho japonês está longe de ser infantil: estupro, nudez, assassinatos e suicídios são apenas alguns dos elementos que justificam a censura rigorosa. No mais, Paprika é uma viagem pela psique humana, jorrando simbolismos e permeada de elementos freudianos muito bem utilizados.

É um filme confuso, um pouco nauseante, mas extremamente intrigante e inteligente. Com certeza é pra ver mais de uma vez!

Waking Life
 (EUA, 2001)


O que é sonho e o que é realidade? 

O personagem principal do filme está preso num sonho, dentro de um sonho, dentro de um sonho e por aí vai. Durante todo o tempo ele se depara com figuras interessantes que tem algo a dizer sobre vida, morte, política, ciência, religião, sociologia e sobre a própria consciência humana.

Esse já é velho conhecido dos existencialistas e cinéfilos do mundo afora. É um filme criativo, inteligente, porém um pouco cansativo (principalmente na primeira metade). Se prepare pra ficar tonto!

Abra os Olhos 
(ESP, 1997)


César, um jovem homem de sucesso, muito bonito, encontra o amor de sua vida, Sofia, durante sua festa de aniversário. Acontece que a ex-namorada de César, Nuria, não aceita o término e, ao convencer César a aceitar sua carona, joga o carro contra a parede numa tentativa de suicídio e assassinato. César sobrevive, mas seu rosto está permanentemente desfigurado.

Infelizmente, Abra os Olhos é conhecido apenas pelo seu remake americano, Vanilla Sky (2001), que também traz Penélope Cruz no papel de Sofia. No entanto, esse excelente filme, dirigido por Alejandro Amenábar, merece ser valorizado e apreciado como a obra original que realmente é. 

A Hora do Pesadelo
 (EUA, 1984)


Clássico do Horror dos anos 1980, o filme traz um vilão diferente de todos os outros: Freddy Krueger ataca as suas vítimas enquanto elas dormem, através de seus sonhos. 

A franquia gerou oito filmes e uma refilmagem (péssima!), mas todos menos interessantes do que o primeiro. Violento, sarcástico e até engraçado, Freddy é um ícone do cinema, que deixou gerações com medo de encarar o travesseiro por muito tempo.

O Mágico de Oz 
(EUA, 1939)


Clássico americano do pós-guerra, adaptado do livro de Victor Fleming. O Mágico de Oz conta as aventuras da adorável Dorothy que, ao ter sua casa arrastada por um furacão, acaba chegando na terra de Oz. Para voltar ao Kansas, Dorothy precisará vencer muitos obstáculos, contando com a ajuda de três novos amigos.

O Mágico de Oz é um filme muito bonito, além de ser uma delícia brincar de analisar a personagem principal e viajar nos elementos simbólicos que aparecem por vezes sutis, por vezes escancarados. 

Alice no País das Maravilhas 
(EUA, 1951)


Bem mais psicodélico que O Mágico de Oz, o livro de Lewis Carroll deu muito pano pra manga. Além das adaptações para o teatro e cinema, contou com uma animação feita pelos Estúdios Disney, que captou com bastante propriedade a natureza do livro (considerando os limites da época).

Com personagens divertidos e curiosos (e mais e mais curiosos!),  Alice no País das Maravilhas é uma explosão de críticas sociais (ainda muito pertinentes, por sinal) e pérolas existencialistas. A própria Alice, encarando os desafios de uma adolescência anunciada, nos convoca sobre vários pontos de vista!

José, Rei dos Sonhos 
(EUA, 2000)


Animação da Dreamworks, o filme conta a história bíblica de José que, traído por seus irmãos e vendido como escravo, chega ao Egito e logo se torna político influente, graças ao seu dom de interpretar os sonhos do faraó. Em determinado momento, José aprende a interpretar os próprios sonhos, num exercício primitivo de autoanálise.

Freud Além da Alma 
(USA, 1962)


O filme conta a trajetória de Freud nos primórdios da Psicanálise, focando em sua relação com a Psiquiatria, seus colegas e sua família. O ponto alto do filme envolve a relação de Freud com uma paciente especial que, através de seus sonhos, lançará uma nova luz no caminho profissional do doutor.

Interessante pra quem ainda não viu, pois, apesar das falhas e distorções eventuais, o filme ainda é um clássico e mostra um pouco da história da Saúde Mental e da Psicanálise.  



E você? Viu alguma coisa interessante por aí e gostaria de conversar sobre? Manda sua ideia pra gente! Quem sabe ela pode ser o nosso próximo Pimenta Nos Olhos Pra Ver Melhor